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Reurbanização em comunidades carentes

Por Ruy Ohtake

O maior desafio ao desenvolver um projeto de reurbanização em comunidades carentes é fazer os responsáveis (principalmente governantes e construtoras) compreenderem que a estética é fundamental e que não aumenta o custo da obra, pois tem rigoroso teto estabelecido. O exemplo de Heliópolis é muito importante como proposta construída de novo bairro, com dignidade e cidadania aos moradores, todos cidadãos brasileiros.

O aspecto mais importante em um projeto assim é a questão da estética, envolvendo diretamente a arquitetura dos edifícios com seus apartamentos, e vinculados a uma proposta urbanística. Eu digo que os programas de arquitetura e urbanismo de comunidades carentes e respectivos custos de construção são muito semelhantes para todo Brasil. O que difere é a estética. Foi o que elaboramos no Condomínio Residencial de Heliópolis.

E a participação das comunidades carentes é sempre importante, pois é a primeira vez na vida que o futuro morador residirá em condomínio. E também a primeira vez que morará na cidade. Até então a maioria tem migrado de áreas rurais muito pobres do interior do Brasil e ocupado as periferias da cidade. Nunca foi considerado cidadão. Pelo contrário, filho de favelado já nascia condenado, marginalizado. Portanto, é o momento da participação da comunidade, de uma forma digna e cidadã. E, quanto mais raízes essas pessoas tiverem fincadas na comunidade, mais contribuirão para o enriquecimento do trabalho.

A política econômico-social no país está permitindo que as classes chamadas C, D e E tenham maior poder aquisitivo e, com dilatação do prazo de pagamento das parcelas da compra de moradias em até 25 – 30 anos, tem possibilitado o êxito da política de habitação e urbanização. Entretanto, para evitar equívocos passados, como, por exemplo, as tristes feridas urbanas provocadas pelos conjuntos habitacionais das quatro últimas décadas, faz-se prioritária a preocupação com a estética. Entre o feio e o bonito não há diferença de custo. Vamos então fazer o bonito! O orçamento é estabelecido rigorosamente pelos programas municipais, estaduais e federais.